Em maio de 2009, mais uma Universidade Federal se rendeu ao pragmatismo. A UFLA, por intermédio de seu conselho universitário, concedeu a Aécio Neves o título de Doutor Honoris Causa, assim como a UFSJ em 2007.
Trata-se de manter boas relações com o governador para que recursos sejam liberados mais facilmente.
Porém, essa política é um tiro no próprio pé. O governador de Minas já demonstrou que governa para as elites, e é natural que essas sejam a favor das universidades privadas, em detrimento das universidades públicas. Também já deixou claro que educação não é prioridade em seu governo, apesar do que dizem suas “emocionantes” propagandas. Isso comprovaremos mais abaixo com dados.
Todos sabemos que Aécio já está medindo forças (entre outras coisas disputando atenção nos intervalos do horário nobre nas principais emissoras de televisão), com José Serra (governador de São Paulo) para decidir quem sai candidato a presidente pelo PSDB em 2010.
Conceder tal “prêmio” é dar oportunidade para que a campanha desse político seja impulsionada, e caso ele chegue a candidatar e ganhar, as universidades federais que concederam tal condecoração, “colherão o que plantaram”, ou seja, sucateamento delas mesmas.
Em maio de 2007, o Centro Acadêmico Livre de Economia da UFSJ, indignado com a condecoração que Aécio recebeu através daquela Universidade, publicou em seu jornal bimestral, com uma tiragem de 2.000 exemplares e distribuição além-muros da UFSJ, um texto intitulado “Descobrindo a causa do Honoris”.
Ao invés de fazer um novo texto criticando o conselho universitário, nesse caso da UFLA, e o governador, preferimos resgatar o original que se adequa perfeitamente a mais recente condecoração.
Segue ele na íntegra:
O governador Aécio Neves ganhou da UFSJ o título de Doutor Honoris Causa. Trata-se de um título que as Universidades de todo o mundo concedem a pessoas que têm reconhecido saber em algum assunto específico, que lhes faça merecer o título de Doutor sem ter feito doutorado.
Os membros do CONSU(Conselho universitário), que votaram a favor do nosso mais novo Doutor(todos presentes na votação), não tentaram especificar a área que faria jus a este título.
Nossa entidade então, em sua simplicidade, resolveu elucidar alguns fatos, para depois levantar algumas hipóteses.
Em 18 de dezembro de 2005, um grande jornal de São Paulo publicou matéria dizendo que o gasto com publicidade do governo Aécio até outubro daquele ano, havia chegado a 520% a mais do que o previsto no orçamento.
A Intensa campanha de marketing desenvolvida em todo o país para divulgar o chamado “Déficit Zero”, foi desmentida de acordo com dados do Banco Central. A dívida pública do governo mineiro com o Tesouro Nacional cresceu 40,23% nos últimos quatro anos. O maior aumento entre os Estados brasileiros.
Enquanto isso, os investimentos em saúde, segurança pública e educação caíram de R$ 11,6 bilhões para R$ 8,7 bilhões. Os Estados são obrigados a aplicar 12% de seu orçamento em saúde, em Minas, o governo aplicou, em 2006, apenas 5,72%. “O “Déficit Zero” nada mais é do que um jogo de marketing” avaliou o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais (Sindifisco/MG), Lindolfo Fernandes de Castro.
Podemos citar também outras campanhas publicitárias, como a fictícia Estrada Real, que não é mais o que existia antes mesmo de Aécio nascer, ou mesmo ações com recursos federais, e divulgação como ações inovadoras. Na educação, a distribuição de livros didáticos já é prevista pelas diretrizes legais do Ministério da Educação (MEC). Dos 35 programas 'estruturantes' do governo (que incluem áreas de investimento obrigatório por lei, como saúde e educação), apenas 12 programas tiveram despesas liquidadas maiores do que as do programa de Comunicação Social.
Tudo isso não é divulgado, e o controle dos meios de comunicação é comprovado até mesmo por muito pouco. O Sindicato dos jornalistas denunciou que Aécio é o responsável pela demissão de mais de 20 jornalistas. Um caso é o de Kajuru(jornalista da área esportiva), que Criticou a reserva de mais de 10 mil ingressos para convidados da CBF e do governo de Minas para o jogo das eliminatórias da Copa, no dia 2 de junho de 2004, no estádio Mineirão, e foi demitido no ar.
No vídeo Liberdade, essa palavra, trabalho final do curso de jornalismo produzido por Marcelo Baeta, se revela o caso de outros jornalistas. O filme pode ser visto, na íntegra, no site de Baêta (
http://www.amplifique.com/).
Em abril de 2006, o então superintendente de imprensa da Subsecretaria de Comunicação Social do Governo do Estado de Minas Gerais, Ronaldo Lenoir, ao conceder entrevista a um grupo de estudantes de comunicação da PUC-Minas, disse que "ela [Andréa Neves] pode achar que o tom da matéria é politicamente incorreto, na visão desse governo". Segundo Ronaldo, Andréa "não nega que liga para a direção de um jornal. Ela se acha no direito de fazer isso para reclamar de determinadas matérias que acha que não correspondem à verdade". Ele afirma que a decisão de apoiar o governo é dos empresários de comunicação "que não gostam que seus empregados falem mal do governo".
Além de tudo isso, a repressão policial que acontece a qualquer tentativa de manifestação, como ocorreu na reunião em Belo Horizonte do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), ou mesmo a manifestação na Cemig, onde reivindicava-se redução da tarifa de energia, e que 7 pessoas, inclusive um menor de idade, foram presas e torturadas segundo o jornal Brasil de Fato.
“A reforma administrativa, também chamada de choque de gestão, é uma concepção empresarial que estão tentando impor como modelo de gestão de Estado. Gestão empresarial visa ao lucro e à competição de mercado, ou seja, uma noção totalmente distinta da lógica pública” esclarece o sociólogo Rudá Ricci, membro do Fórum Brasil do Orçamento.
O choque de gestão foi patrocinado por grandes empresas como Gerdau, Votorantin, Vale do Rio Doce e Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, que possuem claros interesses de negócios em Minas Gerais, e contribuíram com R$ 3 milhões na campanha de Aécio Neves em 2002. Às empresas o dinheiro, ao povo, tudo o que já foi dito.
Caso você leitor não pudesse dar-lhe o título por tudo isso, o que acharia mais justo? O título de Doutor Honoris falso marketing, Doutor Honoris censurador da imprensa ou Doutor Honoris repressor dos movimentos sociais?
Nota: O texto do autor era diferente nos dois últimos parágrafos. Obedecendo a democracia dentro do Centro Acadêmico foi publicado como acima. Porém, aqui nesse blog publicaremos sua forma embrionária porque acreditamos que é mais elucidativo:
Apesar de nós entendermos que todas essas ações estão interligadas, no princípio de que o Estado, nada mais é que o aparelho burocrático de opressão e repressão da classe exploradora (burguesia) sobre a classe explorada (proletariado – assalariados – pessoas que não são donas de capitais), que move interesses como o próprio "choque de gestão", patrocinado por grandes empresas como Gerdau, Votorantim, Vale do Rio Doce e Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, que possuem claros interesses de negócios em Minas Gerais, e contribuíram com R$ 3 milhões na campanha de Aécio Neves em 2002, o que você leitor, acha mais justo? O título de Doutor Honoris falso marketing, Doutor Honoris censurador da imprensa ou Doutor Honoris repressor dos movimentos sociais?