quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Manifestação na UFLA

Nota de Esclarecimento do MEL (Movimento Estudantil de Lavras)

Estudante,

Nesta terça-feira, dia 1 de setembro, por volta das 11:40, a fila do novo RU (Restaurante Universitário) fechou a avenida principal da UFLA. Os estudantes esperavam para almoçar, e a fila, como sempre longa, foi suficiente para fechar as duas pistas. O trânsito foi interrompido, e desviado por trás do restaurante. Alguns motoristas tentaram furar o bloqueio, e dois acidentes aconteceram. No primeiro, um estudante ficou com o pé preso embaixo da roda do carro e teve a perna cortada por estilhaços do pára-brisa, que se quebrou com o impacto; e no segundo, outro estudante foi levado no teto de um carro, desde a cantina até a prefeitura do campus. Caiu e machucou o tornozelo, cotovelo e mão direitos. Ambos foram socorridos e levados ao pronto-atendimento, logo após fizeram os boletins de ocorrência.

A manifestação espontânea dos estudantes mostra a insatisfação geral dos universitários com a falta de postura e ação das entidades representativas. Todos os dias somos obrigados a esperar em filas exaustivas para almoçar, com sorte sob sol, porque ainda não choveu na hora do almoço. Nenhum representante do DCE participou da manifestação ou tomou providências para resolver o conflito.

Após os acidentes, o Pró-Reitor de Planejamento e Gestão, José Roberto Scolforo, veio mediar a situação. Após ouvir e responder algumas reivindicações e opiniões, o Pró-Reitor convidou uma comissão a participar da reunião na quarta-feira, dia 16 de setembro, às 14h. A comissão será composta por um representante de cada centro acadêmico, um representante do Diretório Central dos Estudantes, e dois representantes do Movimento Estudantil de Lavras – MEL.

Tendo em vista a participação do MEL nas negociações, nos sentimos responsáveis por esse esclarecimento e por demonstrar nossa abertura ao diálogo com a comunidade acadêmica. Somos uma voz entre todas as vozes, e convidamos a todos a se expressar conosco. Nosso email de contato é movimentoestudantildelavras@yahoo.com.br. Esperamos sua voz.

MEL – Movimento Estudantil de Lavras

obs: Até o presente momento nada foi divulgado a respeito no site da UFLA

sábado, 25 de julho de 2009

Estamos só no começo da crise

Ao contrário do que vem sendo massivamente divulgado na mídia, essa crise longe de estar terminando ainda nem começou de fato.

A mídia burguesa insiste em dizer que essa é uma crise com origem no sistema financeiro. Não diz a verdade sobre ser uma crise de superprodução, erro que o capitalismo na sanha por maiores lucros inevitavelmente comete.

Por que teriam os banqueiros norte-americanos financiado casas a quem simplesmente não tinha renda para pagar? Por que apesar de toda experiência cometer tamanha burrice? Sem ter onde aplicar o capital, diante dos combalidos salários dos americanos que só no começo dessa década recuperaram o nível real de fins da década de 1970, o capital (articulado entre o setor financeiro e não financeiro) produziu casas em excesso em relação ao que se podia comprar e induziram o povo ao endividamento (A crise de superprodução não se deve somente ao setor imobiliário, aqui estamos destacando essa parte com maior relação ao “estouro”).

A todo o tempo vemos a mídia repetindo: “Que crise?”, quando por exemplo mostra que as contratações no Brasil foram maiores que as demissões em dado mês, esquecendo propositalmente que aquelas não superam as demissões do fim do ano passado.

Com o mercado financeiro não foi diferente. Semana passada estavam a anunciar o seu “bom humor” e a alta das bolsas lá fora e aqui no Brasil. O motivo era o lucro de alguns bancos que tinham estado em apuros. E como foi que tais bancos obtiveram tal resultado? Explicava o jornal com a maior normalidade: “esse lucro é decorrente das operações de compra e venda no mercado financeiro”.

Ou seja, ainda continuam cometendo o mesmo erro que levou ao “estouro” (estouro aqui não é a raiz do problema que é a crise de superprodução) dessa crise: achar que seus ativos podem valorizar sem nenhuma correspondência com a produção de bens e serviços.

O dito partido dos trabalhadores vem desempenhando bem seu papel de administrador do capitalismo. Confunde os trabalhadores e mente a todo instante sobre nosso crescimento econômico nesse ano. Em janeiro não arredavam pé de que cresceríamos 4,5% enquanto o FMI dizia que nosso resultado seria negativo . Mais tarde tiveram que admitir que seria por volta de 2%; e agora estão a dizer que não cresceremos nada nesse ano. Surpreendentemente pela queda da taxa de juros que os conservadores do COPOM (Conselho de política monetária) realizaram até agora, podemos ter a certeza que eles já sabem que provavelmente chegaremos ao final do ano com um resultado negativo.

Há muito tempo estamos anunciando que em breve a posição hegemônica dos Estados Unidos irá cair. Quando do “médio estouro” em setembro passado inimaginavelmente apesar do dólar já estar em franco declínio pelo fato de outras moedas estarem sendo introduzidas como meio de troca nos fluxos internacionais, o mercado financeiro reforçou a posição em dólar, o que comprova que uma maioria de especuladores serve de “boi de piranha” da minoria, porque o lógico teria sido abandonar essa divisa de vez.

Não é de hoje a desconfiança acerca dos EUA fazerem face à sua dívida, tendo alguns políticos internacionais se manifestado publicamente sobre isso.

O Laboratoire Européen d'Anticipation Politique (LEAP) / Europe 2020, que previu a atual crise desde 2006, e que no começo de 2007 anunciou que os bancos e consumidores americanos estavam ambos insolventes, prevê para esse ano de 2009, a cessação do pagamento da dívida do governo norte-americano e do Reino Unido, pois o déficit público desses países não para de crescer. Tal atitude levaria inevitavelmente a uma forte desvalorização principalmente do dólar. (http://www.resistir.info/crise/geab_36.html)

A cessação do pagamento é corroborada com a afirmação do boletim financeiro "Harry Schultz Letter". Para perdurarem pelo menos um ano estariam algumas embaixadas dos EUA comprando fortemente divisas locais antes que a desvalorização aconteça. (http://www.resistir.info/ - Embaixadas dos EUA acumulam divisas locais)


A má alocação dos recursos do governo norte-americano na tentativa de “salvar” a economia meio essa crise de superprodução que já levou o desemprego desse país a aproximadamente 10% ; a repetitiva prática do mercado financeiro de querer que seus ativos se valorizem baseados no nada; e a tendência de cessação do pagamento da dívida do governo norte-americano, provam que essa crise só está no começo!


Algumas perguntas temos de nos fazer:

1- Que fará a China quando estiver faltando pouco para a mega desvalorização do dólar? Continuará defendendo o dólar por possuir muito dessa divisa ou tentará emplacar o yuan como meio de troca internacional? O que isso tudo, além do já crescente desemprego gerará para o desenvolvimento da luta de classes na China?

2- E a Europa, tradicional aliada dos EUA? Tenta emplacar o Euro ou defende aquele país?

3- Obama tendo se mostrado menos conservador que seu antecessor, quando o dólar estiver afundando vai assistir a perda da hegemonia ou vai dar uma guinada belicista para tentar sustentar essa moeda, logo o poder dos EUA?

4- Se Obama não der a guinada belicista, o que fará a elite dos EUA? O matará como a Kennedy?


Responder a todas essas variáveis somente seria possível com uma bola de cristal.

Os países capitalistas ficam sedentos por guerras quando estão em crise. Os EUA só saíram da crise de 1929 quando iniciou a segunda guerra. Além do mais, com sua hegemonia sendo ameaçada e com a ação dos outros atores políticos a única coisa que podemos afirmar é: Há um cheiro de guerra no ar!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Descobrindo a causa do Honoris

Em maio de 2009, mais uma Universidade Federal se rendeu ao pragmatismo. A UFLA, por intermédio de seu conselho universitário, concedeu a Aécio Neves o título de Doutor Honoris Causa, assim como a UFSJ em 2007.

Trata-se de manter boas relações com o governador para que recursos sejam liberados mais facilmente.

Porém, essa política é um tiro no próprio pé. O governador de Minas já demonstrou que governa para as elites, e é natural que essas sejam a favor das universidades privadas, em detrimento das universidades públicas. Também já deixou claro que educação não é prioridade em seu governo, apesar do que dizem suas “emocionantes” propagandas. Isso comprovaremos mais abaixo com dados.
Todos sabemos que Aécio já está medindo forças (entre outras coisas disputando atenção nos intervalos do horário nobre nas principais emissoras de televisão), com José Serra (governador de São Paulo) para decidir quem sai candidato a presidente pelo PSDB em 2010.

Conceder tal “prêmio” é dar oportunidade para que a campanha desse político seja impulsionada, e caso ele chegue a candidatar e ganhar, as universidades federais que concederam tal condecoração, “colherão o que plantaram”, ou seja, sucateamento delas mesmas.

Em maio de 2007, o Centro Acadêmico Livre de Economia da UFSJ, indignado com a condecoração que Aécio recebeu através daquela Universidade, publicou em seu jornal bimestral, com uma tiragem de 2.000 exemplares e distribuição além-muros da UFSJ, um texto intitulado “Descobrindo a causa do Honoris”.

Ao invés de fazer um novo texto criticando o conselho universitário, nesse caso da UFLA, e o governador, preferimos resgatar o original que se adequa perfeitamente a mais recente condecoração.

Segue ele na íntegra:

O governador Aécio Neves ganhou da UFSJ o título de Doutor Honoris Causa. Trata-se de um título que as Universidades de todo o mundo concedem a pessoas que têm reconhecido saber em algum assunto específico, que lhes faça merecer o título de Doutor sem ter feito doutorado.

Os membros do CONSU(Conselho universitário), que votaram a favor do nosso mais novo Doutor(todos presentes na votação), não tentaram especificar a área que faria jus a este título.

Nossa entidade então, em sua simplicidade, resolveu elucidar alguns fatos, para depois levantar algumas hipóteses.

Em 18 de dezembro de 2005, um grande jornal de São Paulo publicou matéria dizendo que o gasto com publicidade do governo Aécio até outubro daquele ano, havia chegado a 520% a mais do que o previsto no orçamento.

A Intensa campanha de marketing desenvolvida em todo o país para divulgar o chamado “Déficit Zero”, foi desmentida de acordo com dados do Banco Central. A dívida pública do governo mineiro com o Tesouro Nacional cresceu 40,23% nos últimos quatro anos. O maior aumento entre os Estados brasileiros.

Enquanto isso, os investimentos em saúde, segurança pública e educação caíram de R$ 11,6 bilhões para R$ 8,7 bilhões. Os Estados são obrigados a aplicar 12% de seu orçamento em saúde, em Minas, o governo aplicou, em 2006, apenas 5,72%. “O “Déficit Zero” nada mais é do que um jogo de marketing” avaliou o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais (Sindifisco/MG), Lindolfo Fernandes de Castro.

Podemos citar também outras campanhas publicitárias, como a fictícia Estrada Real, que não é mais o que existia antes mesmo de Aécio nascer, ou mesmo ações com recursos federais, e divulgação como ações inovadoras. Na educação, a distribuição de livros didáticos já é prevista pelas diretrizes legais do Ministério da Educação (MEC). Dos 35 programas 'estruturantes' do governo (que incluem áreas de investimento obrigatório por lei, como saúde e educação), apenas 12 programas tiveram despesas liquidadas maiores do que as do programa de Comunicação Social.

Tudo isso não é divulgado, e o controle dos meios de comunicação é comprovado até mesmo por muito pouco. O Sindicato dos jornalistas denunciou que Aécio é o responsável pela demissão de mais de 20 jornalistas. Um caso é o de Kajuru(jornalista da área esportiva), que Criticou a reserva de mais de 10 mil ingressos para convidados da CBF e do governo de Minas para o jogo das eliminatórias da Copa, no dia 2 de junho de 2004, no estádio Mineirão, e foi demitido no ar.
No vídeo Liberdade, essa palavra, trabalho final do curso de jornalismo produzido por Marcelo Baeta, se revela o caso de outros jornalistas. O filme pode ser visto, na íntegra, no site de Baêta (http://www.amplifique.com/).

Em abril de 2006, o então superintendente de imprensa da Subsecretaria de Comunicação Social do Governo do Estado de Minas Gerais, Ronaldo Lenoir, ao conceder entrevista a um grupo de estudantes de comunicação da PUC-Minas, disse que "ela [Andréa Neves] pode achar que o tom da matéria é politicamente incorreto, na visão desse governo". Segundo Ronaldo, Andréa "não nega que liga para a direção de um jornal. Ela se acha no direito de fazer isso para reclamar de determinadas matérias que acha que não correspondem à verdade". Ele afirma que a decisão de apoiar o governo é dos empresários de comunicação "que não gostam que seus empregados falem mal do governo".

Além de tudo isso, a repressão policial que acontece a qualquer tentativa de manifestação, como ocorreu na reunião em Belo Horizonte do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), ou mesmo a manifestação na Cemig, onde reivindicava-se redução da tarifa de energia, e que 7 pessoas, inclusive um menor de idade, foram presas e torturadas segundo o jornal Brasil de Fato.
“A reforma administrativa, também chamada de choque de gestão, é uma concepção empresarial que estão tentando impor como modelo de gestão de Estado. Gestão empresarial visa ao lucro e à competição de mercado, ou seja, uma noção totalmente distinta da lógica pública” esclarece o sociólogo Rudá Ricci, membro do Fórum Brasil do Orçamento.

O choque de gestão foi patrocinado por grandes empresas como Gerdau, Votorantin, Vale do Rio Doce e Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, que possuem claros interesses de negócios em Minas Gerais, e contribuíram com R$ 3 milhões na campanha de Aécio Neves em 2002. Às empresas o dinheiro, ao povo, tudo o que já foi dito.
Caso você leitor não pudesse dar-lhe o título por tudo isso, o que acharia mais justo? O título de Doutor Honoris falso marketing, Doutor Honoris censurador da imprensa ou Doutor Honoris repressor dos movimentos sociais?



Nota: O texto do autor era diferente nos dois últimos parágrafos. Obedecendo a democracia dentro do Centro Acadêmico foi publicado como acima. Porém, aqui nesse blog publicaremos sua forma embrionária porque acreditamos que é mais elucidativo:

Apesar de nós entendermos que todas essas ações estão interligadas, no princípio de que o Estado, nada mais é que o aparelho burocrático de opressão e repressão da classe exploradora (burguesia) sobre a classe explorada (proletariado – assalariados – pessoas que não são donas de capitais), que move interesses como o próprio "choque de gestão", patrocinado por grandes empresas como Gerdau, Votorantim, Vale do Rio Doce e Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, que possuem claros interesses de negócios em Minas Gerais, e contribuíram com R$ 3 milhões na campanha de Aécio Neves em 2002, o que você leitor, acha mais justo? O título de Doutor Honoris falso marketing, Doutor Honoris censurador da imprensa ou Doutor Honoris repressor dos movimentos sociais?

sábado, 7 de março de 2009

Qual transparência?

A exemplo da medida da Câmara dos deputados prevendo prestação de contas para os gastos com verba de gabinete de todos os representantes dessa casa, o vereador de Lavras, Marcos Cherem, deu entrada no fim de fevereiro com a mesma proposta para a Câmara Municipal dessa cidade.

Assim, constaria no site da Câmara Municipal, todas as despesas feitas pelos vereadores com a verba de gabinete que é de R$ 2.304,82 por mês. Feita de maneira detalhada, a prestação teria que contemplar a relação dos fornecedores e prestadores de serviços e o número das notas fiscais com os valores correspondentes.

Nós concordamos com a medida, mas acreditamos que ela é completamente insuficiente. Mais necessária é uma lei que obrigue os bancos a publicar todos os extratos bancários da prefeitura, da Câmara Municipal, e das contas pessoais de todos os representantes nessas esferas de poder. Isso sim seria transparência!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Redução da passagem para R$ 1,00

O jornal da cidade que defende os interesses do grupo político da atual prefeita, na primeira quinzena de Fevereiro publicou uma matéria a respeito da redução da passagem de ônibus para R$ 1, 00 aos domingos, feriados nacionais e no aniversário da cidade. Segundo a empresa responsável pelo transporte urbano, o movimento no primeiro domingo consecutivo a implementação da medida aumentou em 10%.

Por suscitar uma redução no preço da passagem, que não é barata (R$ 1,75), o jornal logo diz que entre as principais cidades do sul de minas, Lavras tem a passagem mais barata. Tenta assim justificar que não é possível uma redução nos dias de semana.

Esse mesmo jornal em outra matéria expõe que em um ano, a frota de veículos aumentou 30% em Lavras, gerando maior desconforto no trânsito lavrense. É dada ênfase principalmente aos horários em que os estudantes tanto de escolas privadas quanto de escolas públicas entram e saem dessas.

Ora, o problema não está em possuir veículos, mas sim no uso exacerbado desses nos horários de pico. Caberia a prefeitura de alguma forma estimular o uso de coletivos para que esses alunos vão às aulas.

O próprio jornal que faz a defesa intransigente da prefeita, apesar de citar as principais cidades do sul de minas, não cita que em Varginha para os alunos da rede pública o passe é livre.
Medidas como essa ou mesmo a redução da passagem a R$ 1,00 nos dias de semana, aumentariam bastante a demanda (Com certeza mais de 10%) e antes que a empresa responsável pelo transporte na cidade vociferasse seria necessário a abertura de seus livros de contabilidade para que fosse comprovado que é possível a redução também nos dias de semana.

Segundo a prefeita, essa parca medida seria capaz até de fomentar o turismo elevando o bem estar do trabalhador. Ora, isso se parece mais uma brincadeira de mau gosto. Se ela estivesse preocupada com os trabalhadores no meio de um aumento das demissões (foram criadas 653 vagas e fechados 1238 postos de trabalho, deixando um saldo negativo de 585 vagas no mês de janeiro nessa cidade), faria a redução como já foi supracitado e permitiria aos desempregados andar de ônibus de graça, pois procurar emprego custa dinheiro.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Redução da Jornada de Trabalho discutida em Lavras

Na última segunda-feira, dia 02/02/09, a redução da jornada de trabalho com redução proporcional dos salários foi assunto discutido na Câmara Municipal de Lavras. O vereador Ênio Mendes de Siqueira (PMDB) se mostrou favorável. Já o vereador Julio Donizete de Melo (PC do B), que é sindicalista, manifestou-se contrário à idéia.

A crise internacional trouxe a tona essa discussão tão importante para os movimentos sociais, mas dessa vez foi trazida à luz pela patronal. O desemprego além de impor salários mais baixos à população faz com que boa parte dos trabalhadores aceitem essa proposta. Contudo, alguns sindicatos pelo Brasil se mantêm reticentes em fazer esse acordo, apesar da aceitação da maior parte dos trabalhadores.

Ora, um sindicato deveria seguir sua base sendo a expressão democrática da vontade dos trabalhadores. No mundo todo, e no Brasil não é diferente, a democracia burguesa chega até às organizações populares. As eleições diretas na esmagadora maioria das vezes promovem pleitos onde o uso do dinheiro é fundamental para se ganhar uma eleição. No caso das organizações populares, só os partidos políticos tem essas condições, e uma vez constituída a diretoria, essa acaba sendo um braço do partido e o sindicato é aparelhado, tendo seus recursos comprometidos, não sendo raros os casos de roubo para realimentar a máquina partidária. Ao invés de demandas da base, as demandas do partido são as postas em prática.

Colocamos a seguinte questão hipotética: Qual opção em termos de trabalho gerador de renda seria um retrocesso?
  • Trabalhar 10 horas e ganhar R$ 1000,00
  • Trabalhar 8 horas e ganhar R$ 800,00
  • Trabalhar 6 horas e ganhar R$ 600,00 ,00

Nesse exemplo, toda hora trabalhada tem a remuneração de R$ 100. Portanto, não significa uma intensificação da exploração do proletariado, portanto, não há um retrocesso em termos monetários.

A redução da jornada de trabalho com redução proporcional do salário impõe sim uma perda de renda para uma família, contudo, seria uma saída estratégica. Se as mobilizações nacionais que tem sido feitas contra as demissões aproveitassem esse momento para levantar a bandeira da redução permanente para uma jornada de trabalho de 6 horas diárias, aproveitando a inclinação da burguesia a aceitar essa medida, esse fato em si já seria uma vitória, pois há trabalhos que são verdadeiras “ditaduras” impondo ao trabalhador a perda de toda energia que possui, ficando à margem entre outras coisas de poder participar de qualquer mobilização convocada.

A redução da jornada se implantada a nível nacional, apesar do momento de crise, seria capaz de diminuir o desemprego dando maior força aos sindicatos até para organizar uma greve, e devido a esses dois fatores, posteriormente poder-se-ia obter um aumento nos níveis salariais. Mantendo a jornada de trabalho em 8 horas diárias, o que temos na prática é o aumento do desemprego e a pressão para baixo dos salários de quem conseguiu manter o emprego, além da maior debilidade do movimento sindical.

Dentro da redução da jornada para 6 horas poder-se-ia incluir a bandeira da criação dos comitês de fábrica (representação dos trabalhadores dentro dos locais de trabalho), alegando ter de verificar se o novo regime de trabalho estaria sendo de fato cumprido, pois não podemos nos enganar, há empresas que falseiam os horários da “batida de ponto”. Por mais que possa parecer difícil a aceitação por parte dos patrões, existiam em 2006, 87 organizações desse tipo representando os metalúrgicos no Grande ABC.

Essa bandeira seria uma enorme conquista para a classe trabalhadora tecendo uma nova relação capital X trabalho em prol do socialismo. Cabe lembrar que depois de feita a revolução na Rússia, os trabalhadores não souberam controlar eles próprios a produção, tendo sido necessário naquele momento de guerra civil convocar os antigos gerentes ao trabalho. Os comitês viabilizariam novas relações sociais de produção na medida em que são praticamente formas embrionárias de controle e gestão da produção pelos trabalhadores e ao mesmo tempo ultrapassam os aparelhos sindicais e partidários viciados pela nossa democracia burguesa.

Segundo o Ministério do Trabalho, Lavras teve um saldo positivo ( Contratados menos demitidos) de 506 vagas geradas no acumulado em 2008, um crescimento de 2,88% em relação a 2007.

Esse ano as perspectivas não são boas. Nesse começo de ano já tivemos 300 demissões na Cofap, 55 na TRW e no Expresso Nepomuceno também já começaram a demitir. O que certamente terá um efeito multiplicador sobre o comércio da cidade depois que esses trabalhadores forem desamparados com o fim do seguro desemprego.

A realidade não é linear. Até mesmo as revoluções socialistas têm fluxos e refluxos. Adotar as mesmas estratégias de sempre não parece algo sensato para os movimentos sociais nesse momento.

Obs: Para um maior entendimento dos comitês de fábrica, bem como da democracia da maioria, ou como chamavam os teóricos do socialismo de antigamente, ditadura do proletariado, ler o texto abaixo de Gramsci, principalmente a partir do décimo oitavo parágrafo.

http://pcbfranca.vilabol.uol.com.br/biblioteca/gramsci_democracia_1919.htm




sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

As rodovias esburacadas

Mais uma vez o período de chuvas chegou e mais uma vez vemos esburacadas as estradas que ligam Lavras a outras cidades.

Desde há muito que se ilude o povo dessa cidade com promessas de campanha a respeito de conseguir recursos para melhorar nossas rodovias, como por exemplo, duplicar os 15 km´s que ligam Lavras à Fernão Dias e passar um novo asfalto no restante da comprometedora BR 265 que liga nossa cidade a outras como por exemplo São João Del Rei e Barbacena. No entanto, as maiores promessas concentram-se no primeiro caso, onde já houve superfaturamento da obra, encontrando-se o trecho inacabado e com buracos perigosos.

Apesar de ter sido divulgado nos jornais da cidade licitações para os dois trechos e o início das obras estarem previstos para o segundo semestre, essa proximidade com a época de campanha eleitoral dá a entender que novamente os lavrenses verão o tema das rodovias feito de “trampolin eleitoral”. O povo de Minas Gerais que não estava acostumado a pagar pedágio já está resignado com as cobranças que terão que arcar ao longo da Fernão Dias. Além do que, há rumores de que haverão pedágios também na BR 265.

A ótica de que o setor privado é o máximo expoente da produtividade é uma falácia, e apóia-se no sucateamento das estatais a partir da década de 1970. Quem confessa isso é o ex-ministro do planejamento de 30/10/69 a 14/03/79, João Paulo dos Reis Velloso. Em seu livro “A dívida externa tem solução?” diz terem sido essas empresas usadas para adquirir divisas em empréstimos internacionais sem que houvesse realização de investimentos.

Qualquer empresa que tivesse no momento quase 40 % de seu orçamento anual destinado a pagar dívidas passadas estaria em apuros. Pois é assim que o Estado brasileiro se encontra. Só para se ter noção, no ano de 2006, 36,7 % do orçamento foi destinado ao pagamento de juros e amortizações; 25,73% foi destinado à previdência social, rubrica que até fins da década de 1990 ainda era a maior; 4,82% para a saúde e apenas 2,27% para a educação (A tão importante educação dada como solução para os nossos problemas na mídia tradicional teve apenas 6,18% do orçamento da dívida no ano de 2006. Mas para essa mesma mídia, o orçamento da dívida é intocável. Assim eles falam e defendem princípios mas na prática se opõe a esses mesmos princípios).

É também por essa dívida espúria, que não cabe aqui demonstrar o motivo de receber esse adjetivo, que a carga tributária é tão elevada nesse país. Em 1989 a carga tributária era de 24,1% do PIB, enquanto em 2006 ela atingiu 38,8%, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).

Disposição para pagar mais “impostos” o povo já mostrou ao aceitar o pedágio na Fernão Dias. E mais impostos não é o centro do problema, e sim como são aplicados os recursos.

Vivemos em um sistema em que o povo vota mas não decide nada, seja na prefeitura, no governo estadual ou federal. Se esse mesmo povo através de uma imprensa que não distorcesse e bloqueasse informações, ficasse ciente de que, por exemplo, um pequeno país como o Equador auditou e repudiou sua dívida externa e de que esse mesmo país ultrapassou-nos no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano divulgado (Indice de qualidade de vida da ONU que nem chega a ser um bom indicador) recentemente, e que, como condição sine qua non para que essas duas coisas fossem possíveis; aplicou uma democracia mais profunda que a nossa; certamente podemos afirmar que nosso povo não estaria de acordo em pagar vários dias de seu trabalho em dívidas movidas pelo interesse de uma minoria.

Chega a ser vergonhoso que um país minúsculo como o Equador, possuindo uma base norte-americana em seu território e não tendo a mesma pujança econômica e militar como a nossa, repudie sua dívida e nós nos mantenhamos presos a ela.

É tarefa de todo cidadão consciente divulgar essas informações para que, se não for possível obter num curto prazo uma democracia participativa, e em nossa opinião só vislumbramos essa opção de maneira contínua, segura e aprofundada através do socialismo, pelo menos que não sejam eleitos em 2010 essa “canalha dos asfaltos” financiados pelos interesses das empreiteiras.

Obs: Depois dessa iniciativa do governo equatoriano, Bolívia, Venezuela e Paraguai decidiram auditar suas dívidas.

Recomendamos os seguintes livros e sites para que se possa entender de maneira profunda porque nossa dívida é espúria:

V, Lenin. Imperialismo: Fase superior do capitalismo / Santiago Fernandes. A ilegitimidade da Dívida Externa do Brasil e do III Mundo/ Celso Furtado,. ABC da dívida externa: O que fazer para tirar o país da crise financeira. / Celso Furtado. Brasil: a construção interrompida. / Celso Furtado. O mito do desenvolvimento econômico / Reinaldo Gonçalves e Valter Pomar. O Brasil endividado. / Reinaldo Gonçalves e Valter Pomar. A armadilha da dívida. / Damien Millet,; Éric Toussaint,. 50 perguntas, 50 respostas sobra a dívida, o FMI e o Banco Mundial. / Nelson Bacic Olic,. Geopolítica da América Latina. / Rede Jubileu Sul/Brasil; Auditoria Cidadã da dívida. ABC da dívida: Sabe quanto você está pagando? / Schilling, V. EUA X América Latina: As etapas da dominação. / Unafisco Sindical. Justiça fiscal e social versus endividamento e lavagem de dinheiro e Os passos da auditoria cidadã da dívida: Uma experiência brasileira

Site: www.divida-auditoriacidada.org.br